
Maria Aparecida Campos Gonzaga, viúva, sete filhos.Residente do morro do Rato Molhado, Rio de Janeiro.
Maria, há quanto tempo a senhora reside no morro do Rato Molhado?
M.:Ah, seu moço!Isso já faz tempo, viu?Olha, desde que eu era criança, mas bem pequena mermo, eu me lembro desse lugar.Gente muito pobre, minha família, viu?Tudo do Nordeste, com aquela seca, não dava não.
Disseram-me que a senhora é muito namoradeira, é verdade?
M.:Mas veja o sinhô [risos].Costumava ser, mas hoje não dá não.Naquela época os moço era respeitador, precisava de ver a diferença.Tem tanta moça bonita aqui, mas bunita mermo.Do tipo de parar a roda de samba e todo mundo olhar.Mas os homi já põe barriga, não casa...Se casa, bate, trata mal, até matar, mata, viu?Mas veja que naquele tempo eu era muito das bonita, visse [esconde o rosto com a mãos, risos] ?
Alguma mulher a inspirou durante sua vida?
M.:Mulher de verdade mermo é minha mãe.Pai morreu e ela nunca se casou de novo.Mas tomou conta da gente até pegar aquela doença, romatismo, né?A mamãe ficou bem ruinzinha, tadinha.E teve um infarte depois, foi aí que ela faleceu [sinal da cruz].Oxe, aquilo era mulher.De pegar no tanque sem medo.
Quais são seus sonhos?
M.:Ah, eu só tenho um, viu?Ver meus netos serem dotô.Meus filho já não tem jeito, já espicharam. O senhor é dotô tamém?
Oh, não.Não sou.
M.:Mas olha que tem cara, viu?Eu queria que meus menino fossem dos médico.Podia ser adevogado tamém, não tinha poblema.Tanto que não virasse lavadeira que nem eu, ah, isso não.Mas num sei se tem jeito mais.Tem um moleque que morreu por causa das bendita da droga, sabe?E as menina já pegaram tudo cria, é triste.É muito sofrido, viu?
Há algo que a senhora gostaria de dizer para encerrarmos?
M.:Ah, mas eu já até que falei demais, né não [risos]?Minha mãe que mandava eu ficar quieta, que sou de falar demais.Só queria mandar um alô pras prima no Nordeste, Corina, Rosa e Conceição.Fiquem com Deus.
Maria, há quanto tempo a senhora reside no morro do Rato Molhado?
M.:Ah, seu moço!Isso já faz tempo, viu?Olha, desde que eu era criança, mas bem pequena mermo, eu me lembro desse lugar.Gente muito pobre, minha família, viu?Tudo do Nordeste, com aquela seca, não dava não.
Disseram-me que a senhora é muito namoradeira, é verdade?
M.:Mas veja o sinhô [risos].Costumava ser, mas hoje não dá não.Naquela época os moço era respeitador, precisava de ver a diferença.Tem tanta moça bonita aqui, mas bunita mermo.Do tipo de parar a roda de samba e todo mundo olhar.Mas os homi já põe barriga, não casa...Se casa, bate, trata mal, até matar, mata, viu?Mas veja que naquele tempo eu era muito das bonita, visse [esconde o rosto com a mãos, risos] ?
Alguma mulher a inspirou durante sua vida?
M.:Mulher de verdade mermo é minha mãe.Pai morreu e ela nunca se casou de novo.Mas tomou conta da gente até pegar aquela doença, romatismo, né?A mamãe ficou bem ruinzinha, tadinha.E teve um infarte depois, foi aí que ela faleceu [sinal da cruz].Oxe, aquilo era mulher.De pegar no tanque sem medo.
Quais são seus sonhos?
M.:Ah, eu só tenho um, viu?Ver meus netos serem dotô.Meus filho já não tem jeito, já espicharam. O senhor é dotô tamém?
Oh, não.Não sou.
M.:Mas olha que tem cara, viu?Eu queria que meus menino fossem dos médico.Podia ser adevogado tamém, não tinha poblema.Tanto que não virasse lavadeira que nem eu, ah, isso não.Mas num sei se tem jeito mais.Tem um moleque que morreu por causa das bendita da droga, sabe?E as menina já pegaram tudo cria, é triste.É muito sofrido, viu?
Há algo que a senhora gostaria de dizer para encerrarmos?
M.:Ah, mas eu já até que falei demais, né não [risos]?Minha mãe que mandava eu ficar quieta, que sou de falar demais.Só queria mandar um alô pras prima no Nordeste, Corina, Rosa e Conceição.Fiquem com Deus.
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