quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Desforra
Na privada a lama relinchava o ânus como o vômito fácil a boca dos bêbados. Cuspia-lhe fora alma dor café Madalena emprego identidade. Inundava o chão como uma torneira desgovernada num bote inflável. Evacuava pensamentos, futuros e passados e presentes e se ia aliviando dos nós na goela, dos bom-dias, dos gozos murchos na mulher às dez e dezessete em ponto, do bestial encarcerado. Enquanto se liquefazia urrava humanamente, como real primata. A merda, a bile, a rédea cobriam já a rua. Os jornais, helicópteros curiosos, os burburinhos errantes, massas desesperados por atenção, salvação, tédio, frisson. E o homem expelia suas reentrâncias; O manto de merda cobria a casa, as tias, o papel timbrado da empresa. Expelia como um bocejo profundo desesperado. O tipo, enfim, suspirou; Era homem. E o mundo, uma elipse de bosta.
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